quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Vomito Ergo Sum

Ela, a que não me deixa esquecer,
Divide-se em duas, famintas do negro

Quando elas se cruzam,
Torcidam a alma, o físico e o intelecto.
Toda a razão de existência é abalada,
Digerida e fervida, numa explosão de pânico.
Abstémia de Paz. Explícita em Dor,
Desilusão, Nervo e Solidão.

Aperto no estômago, insectos na mente,
O vazio teima em sair da melhor maneira que vê,
Vomitando o que lhe aparecer primeiro,
Para tudo jorrar, e despedaçar o Inteiro.

Se o sinto e expulso, consigo respirar,
Ser e viver, olhar e sonhar,
Demente de pedaços com uma estranha tez,
...pelo menos até á próxima vez.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Novamente

Vem aí, está a chegar,
Oiço-o ao fundo..
Sinto-o, Vejo-o, Toco-o,
E covardemente deixo-o morder-me.

Nunca direi nunca, outra vez.

Há que travar o novamente, para não mais durar
É um pêndulo de doença, que ecoa no meu estar.

Nunca direi nunca!

O ver é o que mais custa,
Ao longe e com os mesmos olhos sem desculpa.
Sendo a desilusão com o presente
Um produto inacabado dum passado contundente.

Outra vez...

domingo, 25 de julho de 2010

A Dor é inevitável, o Sofrimento.. é opcional.

Escolhas, deveres, direitos e entraves.
O belo das opções, certas ou erradas
Na qual a validação ocorre quando já não existem.
Livre de, e para errar, moer, e morrer.
O acto em si é póstumo á partida.
Delinquência de experiências, apêndices de..
..bem, de dor.

Escolhemos, devemos, temos direito e não sabemos.
Olhamos, queremos, e tememos o acontecer.

Acontece.

Doi.

Arranha o juíz da consciência.
Torna-se a cruz, A exactidão da inconclusão.

Quero ver sangue jorrar, pus a criar
Vermes a dançar e ossos a quebrar!
Quero que tudo padeça, Agora, Já!
Sexo moribundo com as entranhas do absurdo.

...

Até tudo ficar roído. moído e sentido.
Para poder escolher, dever, ter o direito e travar.

domingo, 11 de julho de 2010

A Verdade da consequência, e o Mito da sobrevivência.

Tirando partido da do sorriso da vida,
Olho para a frente, para o chão que me aparece
Sem medo das pedras e dos buracos profundos.
A consequência ressequida de antigos tremores,
misturam-se com a beleza estática do mundo a cores.

Talvez seja esta a verdade, a sobrevivência da realidade.
Que me afunda e nos acolhe, nos ensina e encolhe.

Corre para a frente, porque atrás estão os erros.
O sonho não foge, não se perde. Apenas desiste de ti.

sábado, 8 de maio de 2010

Ensinar a consciência.

Sorrindo a póstumas e dolorosas memórias.
Amando com todo o meu corpo,
Vou-me ensinando outra vez a dor..
Aquela que conhecemos, que nos remói e que nos dá sentido.
Sim, Essa, a que nos faz acreditar que ainda vivemos.

Eu não te quero ter, apenas ver.
Vou fazer tudo para não te ter de novo,
Sentindo o amanhã com um arreganhar de dentes.
Transformando-me, sem esquecer.
Esvaindo-me em alegria irónica
De não mais te alimentar.
E esquecer sem me transformar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A decepção da Realidade.

Agarras num copo partido, tentando-o concertar,
Está inteiro de novo, mais forte que antes.
Pronto para receber novos sabores, cores e dores.
Esquecendo-se do Sangue destemido que te escorre nas mãos.

Andas perdido em mundos já visitados,
Não queres lá voltar, apenas odiar. 
És um circulo tremido, sem saída,
Tens sempre de lá regressar.
Quando não esperas algo mais do que a desilusão,
deixas de viver o feroz, é a Vida a ressacar.

Não consigo esquecer, não consigo perdoar.
Não consigo viver e muito menos estar.
Abraça-me Paz, e contigo os imaginários vermes que me roem o nervo.
Ao menos serão reais e hão de vomitar medo e desespero. 
Não consigo novamente. O novamente está para durar. 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O medo de perder o Medo

Vivo com medo, aquele que doi,
Que fere a mais pequena réstia de sonho.
O desassossego feroz que não me deixa dormir,
E que me faz não querer acordar.

Acordar?
Acordar para o quê? Para este pesadelo outra vez?

Sem vagar para pensar, sem vagar para olhar.
Perdido no lamento, que não me consigo soltar.
Esta constante angústia da falta de conchego,
Faz-me demente. Doente com soberba de nervo.
Sim, tenho o Medo.

Medo da solidão, medo da possessão
Medo de não me escapar desta incessante merda que me possui
Medo sentimental, actual.
Fisicamente cansado de me tentar mexer
Atado á dor de não o conseguir, apenas.
Este sentimento abrasivo de pânico,
Que todos os dias pela hora da consciência,
Não me permite respirar, viver e voar.

Medo...
Não te quero perder,
Serás ao menos, uma companhia até morrer.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Princípios

A essência fulcral do fundamento,
manifestamente abonatória como lasciva.
Constituídos por um teor reles, e impotente.
Romanticamente são agressivos,
Socialmente são ridículos.
No seu âmago, inúteis. Agora.

O único poder será junto ao leito da morte,
Quando quantificam o bem, o mal, e o normal.
Riscos de censura em acções,

Pensamento recorrente de pseudo-sobrevivência.
Sempre os usei, só me trouxe dor e amargura.
Sempre os vou usar, não sei bem porquê.
Instinto, Teimosia... Ou apenas deleitamento,
Com A doutrina filosófica, à qual estou de acordo.

De qualquer das maneiras...
Uma fertilização imaculada da Vida.
Um ciclo de dor e sofrimento,
O saudar do efemeramente vazio.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O conforto do Adormecer, para amanhã recordar

A falta de sono leva-me a ripostar contra a minha própria consciência,
Onde está a pausa da dor estomacal que me invade a alma?
Sim... Aquelas 'borboletas' que sucumbem apenas quando encontramos a paz..

Parem raios! Larguem-me o estômago.

Será o diafragma encolhido com medo? Será a pressão que a bomba efémera faz no corpo?
Apenas sei que me distraiem do descanso voluntário e recusam-se a fugir de mim.

Ser Humano desprezível..
Amedrontado e sem qualquer defesa do imediato.
Perdes-te nos trilhos, nas ténues linhas até ao horizonte que se enterlaçam com as minhas.
Aquelas que sempre fugiste, sempre ignoras-te e que voltam sempre para te dar um par de estalos.

Por muito que queira, a alma não se cura, nem se transcende, apenas não se lembra.
Esquecimento é o apaziguante da minha vida, e ao mesmo tempo, o seu carrasco.

..no entanto,
Ninguém acorda em lençóis lavados, já não o estão.

terça-feira, 30 de março de 2010

Remoendo causticamente as memórias

Delirante em olhares alheios,
Sorrio para os carris que se estendem ao meus pés
Não sei onde me levam, não quero saber o que me tiram
Fico com medo... medo triunfante,
do passo arrogante que me irá salvar

Sempre sentindo que a solidão que me entranha,
É o conforto que me estranha.

terça-feira, 16 de março de 2010

O Suícidio da Lógica

Há que aprender a baixar as expectativas acerca de pessoas que fazem parte da nossa vida,
para um mínimo que suporte a sobrevivência das memórias.

sábado, 13 de março de 2010

Inveja

Consome e cospe os restos.
Sem razão, destrutiva
Com razão, velhacamente viciativa

Sempre presente,
Eliminando-me o sonho,
Corroendo a lembrança.
Sendo a dor que não se alcança.
O sorriso abandona-me para outro ser
Olho para o lado e não posso ver, querer

Ruim.

Arre! Foge de mim.

Procura outro que possas corromper.
Para eu poder ver, querer e Ser

quarta-feira, 10 de março de 2010

A companhia no mundo dos Outros

Entre transportes apinhados, fugindo ao gado com pressa, pensei para mim,

- Será que não se movem, que não acordam, que não gritam?

Chegando ao próximo, sentei-me. Olhei em volta á procura de companhia para aqueles trinta minutos de solidão. Encontrei, estava mesmo á minha frente, de costas.
Com cabelo liso e fustigado pelo vento, com dedos finos a folhear ficção. Conhecia aquele cabelo, de outros dias sem rumo e cansado.
Dentro daquela carcaça de um azul desligado e seco, não demorou muito tempo para repousar os olhos noutro indivíduo, alegre e bonacheirão, a forçar um sorriso nos colegas de trabalho. Cansado mas sempre com vigor para que naqueles trinta minutos, esqueça a apatia da existência.
O azul tornou-se num verde de veneno ao olhar para os olhos da minha companhia, olhou para o lado, vislumbrei a cor da esperança.

- Será que não se move, que não acorda, que não grita?- pensei eu novamente.

Ouvi de repente vários temas a serem espalhados pelo ar, psicologia, benfica e saídas á noite. Interessa-me alguns, ouvi relutantemente os estudantes, não deixando de contrapor em pensamento alguns tópicos mais sórdidos da teoria da psicanálise, do fora de jogo e dos sapatos adequados para a festa na casa do Miguel.
Senti o olhar perdido dos restantes Outros, nos telemóveis, jornais e afins. Recuso-me a ouvir Música, procuro descanso nas histórias desinteressantes da vida Deles e do meu (in)consciente obsessivo diálogo egocêntrico.

Levantou-se, saiu da carcaça azul e entrou num mundo diferente, incolor, assim sem aviso. Nem oportunidade tive para me despedir dos cabelos lisos com um olhar tímido e sincero.

 Moveu-se. Acordou. Não ouvi o grito.

Amanhã componho a minha tarde novamente com outra companhia, outros tópicos e diálogos.
vou Vivendo o mundo dos Outros, enquanto o meu... bem,
vou dormir.